Esta sessão, dirigida às turmas do 12º ano, ficou adiada para o 3º período.
No Egipto as Bibliotecas eram chamadas "Tesouro dos remédios da alma". "De facto, é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa de todas as enfermidades e a origem de todas as outras". Jacques Bossuet
Funcionamento
Horário de funcionamento: 08:20 - 18:30
quarta-feira, 1 de abril de 2015
SEMANA DA LEITURA - Anime e Mangá
Imagens da sessão do clube ONIGRI,da Escola Secundária de Vila Verde, na biblioteca da EB23 de Vila Verde, a apresentar "Anime e Mangá". Esta atividade, de articulação entre as duas escolas, teve duas sessões dirigidas a turmas do oitavo ano.
Ainda Herberto Helder
Ana Sousa Dias publicou no DN, um excelente artigo sobre Herberto Helder, que divulgamos integralmente na biblioteca, e cujo início transcrevermos.
Um acontecimento excessivo
por ANA SOUSA DIAS25 março 2015
Se eu quisesse, enlouquecia." Esta é
a primeira frase que li de Herberto Helder, é com ela que começa Os Passos em
Volta. Dito de outra forma, mais caseira, é com ela que começam os passos em
volta, o livro de 1963 que entrou na vida de várias gerações e se tornou
companhia de dias inquietos, de viagens interiores, de recusas, de recusas.
Nunca tinha lido nada assim, foi o que pensei e que ouvi de outros, que ainda
oiço de outros quando alguém fala nesse livro. Ainda agora, que ele morreu e
retomamos os livros, é isso que lá está. Nada assim. Só depois conheci a
"poesia toda", dois volumes em que juntou "todos os poemas tidos
pessoalmente como aproveitáveis, que o autor escreveu entre 1953 e 1971".
Com essa vírgula, sim, que as vírgulas e os acentos têm um lugar próprio na
gramática e na ortografia dele. "Esta edição pretende-se completa e
definitiva." Definitivo, em 1973. Vinte e três anos depois,voltou a
publicar uma nova "poesia toda", volume único, denso, pesado,
pensado, definitivo.
in http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4473817&seccao=ana%20sousa%20dias
in http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=4473817&seccao=ana%20sousa%20dias
Herberto Helder
A melhor homenagem que uma biblioteca pode prestar a um autor é divulgar a sua obra. No nosso catálogo disponibilizamos os seguintes livros:
quinta-feira, 26 de março de 2015
um poema da ORPHEU
ODE TRIUNFAL, de Álvaro Campos
À dolorosa luz das lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagem, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria dentro e fora de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiado perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios,
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade.
(...)
À dolorosa luz das lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagem, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria dentro e fora de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiado perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia! eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios,
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô! eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade.
(...)
In Orpheu , nº 1
CEM ANOS DA REVISTA ORPHEU
Quase em simultâneo, a morte do poeta Herberto Hélder e a comemoração dos cem anos da revista Orpheu! Se é que é possível datar o nascimento de uma revista literária e a morte de um poeta...
Sobre Herberto, calemo-nos, pois era essa a vontade do poeta. Já sobre a (o) Orpheu, recordemos que, apenas com dois números publicados, em Março e Junho de 1915, revestiu-se de um notável significado no panorama artístico e literário em Portugal. Sendo um projeto eminentemente literário pensado por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, procura romper com o tradicionalismo nacionalista e europeizar as letras portuguesas. Na Orpheu se destacam também artistas plásticos, como Almada Negreiros (que fez o célebre Retrato de Fernando ou Lendo Orpheu, em que Pessoa surge sentado a uma mesa e onde se vê o número 2 da revista) e Santa-Rita Pintor. Na revista se divulgaram trabalhos absolutamente vanguardistas que escandalizariam a crítica e o público, nomeadamente, a Ode Triunfal, de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, cuja obra, na época, não ultrapassava um pequeno círculo de amigos e admiradores. NOS NOSSOS DIAS, COMO SERIA UMA REVISTA VANGUARDISTA?
terça-feira, 24 de março de 2015
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